segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sim, nós ganhamos

Nunca havia me interessado por política por achar que todos os políticos são a mesma pessoa e, independente do representante escolhido, tudo ficaria como antes. Muitos podem achar que esse descrédito não é uma visão correta, pessimista, mas é o que a política no Brasil nos mostra, infelizmente.

Foi preciso surgir o primeiro candidato negro à presidência dos Estados Unidos da América para atrair a atenção, não só minha como de muitos, para a política. Quem não falava em política, passou a falar. Quem não estava nem aí pra candidato algum, passou a torcer. E a contradição é que não foi para um presidente do nosso país, mas sim dos EUA, ou do mundo, exagerando um pouco. Ou não.

Obama contagiou a todos, se tornando ícone pop em pouquíssimo tempo. Esse fim de semana chego ao Goiânia Noise e vejo três pessoas em um só dia com a camiseta do dito cujo. No mesmo evento, B Negão, ex-vocalista do Planet Hemp, também grita no palco o famoso “Yes, we can!”. Nunca fui ao show da banda Calipso, mas não me espantaria em ver alguém com a camiseta por lá.

Falando sobre a campanha eleitoral, a equipe do democrata inovou, e muito, na maneira de comunicar com seus eleitores e correr atrás de votos que antes não eram considerados prioridade. Investiram como nunca em sua campanha online, criando uma rede de relacionamentos como o Facebock, chamada MyBarackObama.com.

Não deixaram de lado nem os game-maníacos. A campanha comprou espaço em nove jogos da empresa Electronic Arts e quem for acelerar na corrida Burnout Paradise vai passar por uma faixa que diz “Obama para presidente”. Certíssimos, afinal, em uma eleição tão disputada como essa, cada voto tem um grande valor, ainda mais se tratando de um candidato negro em um dos países mais racistas do mundo.

Destacando a importância de cada um dos milhões de doadores da campanha, a equipe de Obama enviou uma mensagem logo após a divulgação do resultado, como se fosse escrita pelo próprio presidente. O e-mail começa dizendo o seguinte:

“Murilo,

Eu estou pronto para ir para o Grand Park para falar com todos que lá me esperam reunidos, mas eu gostaria de escrever para você primeiro. Nós simplesmente fizemos história. E eu não quero que você esqueça como isso aconteceu...”

Tudo muito bem elaborado. Não foi à toa que ganhou.


Murilo Gondim

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