Nesses dias tenho lido algo muito bom. Um livro que fala sobre propaganda, mas que traz um conteúdo fabuloso (livros de propaganda e conteúdo me parecem algo paradoxal, principalmente esses que vieram junto com a febre encantada de ser um publicitário).
Apesar de uma indicação feita por todos os grandes publicitários que já pude ouvir, só agora tive a oportunidade de ler Confissões de um Publicitário de David Ogilvy. Logo nas primeiras páginas mostra porque é considerada uma leitura obrigatória àqueles que aspiram ou já desenvolvem uma carreira em propaganda.
Mas o que mais chama a atenção não são os relatos sobre os cases ou a forma digamos, peculiar do autor, nem mesmo seu potencial criativo, ali apresentadas pelo “pai da criatividade” na comunicação. Durante a leitura pude perceber o quanto David Ogilvy se envolvia com seu trabalho. Ao contrário do que muitos pensam, não era um homem de criação simplesmente, era um homem de propaganda. Já naquela época se mostrava diferenciado pela sua capacidade de enxergar um projeto como um todo. Era o atendimento das contas, era o planejador, o estrategista, o pesquisador, o criativo e tinha lá também os seus ares de mídia, visto que começou em propaganda vendendo espaços em troca de comissões.
O livro me levou a pensar então sobre o perfil do atual profissional de propaganda. Ficou explicito que o grande sucesso conquistado pelo moço de Londres que se aventurava por terras americanas se deu por sua disciplina, por sua ambição em ser simplesmente o melhor no que fazia. E se gabava disso.
Em recente bate-papo aqui na agência, discutíamos o alto padrão de qualidade dos trabalhos desenvolvidos por designers europeus, até que alguém disse: “Pô, mas os caras só fazem isso, designer gráfico é designer gráfico, num fica fazendo essas coisas de web e tals...”. Aí, passam-se alguns segundinhos e, pesquisando sobre o assunto, descobrimos que o perfil do profissional exigido pelas agências européias são designers planejadores, que trabalhem com web, animação, efeitos, partículas, 3D, vídeo, áudio, e que saibam programar muito bem em Action 3.0, PHP e outros.
Só podia ser piada. Como podiam trabalhar tão bem sem “um foco”?
Mas esse é o grande segredo. O foco. Parece-me que dessa forma o trabalho ganha fluidez, ganha conexão e se transforma exatamente naquilo que fora planejado desde o começo, ou até melhor. Não quero aqui fazer nenhum tipo de apologia ao trabalho solitário, pelo contrário, acredito e muito no trabalho em equipe, nas cabeças pensando juntas. O que quero dizer é que nesse tipo de profissão parece não haver mais espaço para bitolados. Percebo que o negócio da comunicação exige que sejamos multifuncionais, “multicapacitados”, para oferecermos sempre as melhores soluções à cada projeto.
O momento é difícil, todos sabemos. Momento em que até os profissionais de longa data estão de orelha em pé. Com a velocidade que as coisas vêm acontecendo, a necessidade de pessoas que saibam apresentar soluções e resolver problemas é cada vez mais latente. Profissionais que tenham um leque de conhecimentos e cartas na manga serão os grandes responsáveis pelo triunfo das empresas e das marcas sobre os momentos difíceis.
É fato que o mercado sempre fez uma seleção entre os vocacionados e os impulsionados, só que cada vez mais se destacam os profissionais 360°, que como atiradores de elite disparam um tiro só, bem no alvo.
Fico por aqui, mas gostaria que de alguma forma pudéssemos pensar sobre essa nova estrutura, sobre esses novos valores, sobre esse novo fluxo de trabalho capaz de moldar os rumos da vida dos profissionais e das agências de propaganda.
Até a próxima !
Igor Reis
quinta-feira, 16 de abril de 2009
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Um comentário:
Ótimo texto. Parabéns.
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